Em um movimento estratégico que pode redefinir a infraestrutura digital do continente, o Brasil firmou-se como ponto crucial no projeto do cabo de fibra óptica submarino “Pyramid”. Com investimento bilionário de um consórcio internacional, o cabo terá um dos seus pontos de aterrissagem não no tradicional eixo Rio-São Paulo, mas em Santarém, no coração do Pará. A obra, com previsão de conclusão para 2026, criará uma via expressa de dados ligando diretamente a Amazônia a Miami, nos Estados Unidos, com ramificações para a América Latina e a Europa.
A escolha do Norte do país é um cálculo geopolítico e econômico. Além de aumentar drasticamente a segurança e a resiliência da rede brasileira—ao criar uma rota alternativa às já saturadas do Sudeste—, o projeto visa impulsionar o desenvolvimento de um hub tecnológico na região. Especialistas projetam a atração de data centers de grandes empresas, a redução do preço da internet de alta velocidade para a população local e um salto na competitividade do polo de negócios de Santarém. Para o governo federal, esta é uma oportunidade de integrar a região amazônica à economia digital global, atraindo investimentos para bioeconomia, agrotech e monitoramento ambiental. O desafio, no entanto, será garantir que os benefícios se espalhem pela população, superando a histórica exclusão digital da região Norte.
