O Cerrado, a savana mais biodiversa do planeta, atingiu um limiar crítico e perigoso. Dados do MapBiomas mostram que, entre 1985 e 2023, a perda de vegetação nativa no bioma consumiu 50,5% de sua área original—uma área maior que a França. Essa conversão acelerada, principalmente para a agricultura e pecuária de larga escala, coloca em risco os serviços ecossistêmicos que o Cerrado provê para todo o Brasil.

Conhecido como “berço das águas”, o bioma abriga as nascentes de oito das doze bacias hidrográficas brasileiras, incluindo as do São Francisco, Tocantins-Araguaia e Paraná-Paraguai. A destruição da vegetação, com suas raízes profundas que recarregam os aquíferos, está diretamente ligada à crise hídrica que afeta diversas regiões, com redução de vazão em rios históricos. Cientistas alertam que o Cerrado se aproxima de um “ponto de inflexão”, onde a degradação se torna irreversível, comprometendo a produção agrícola que ela mesma abriga e a segurança hídrica de milhões de brasileiros. A pressão por um marco legal de proteção específico para o Cerrado, similar ao Código Florestal para a Amazônia, ganha urgência diante dos dados alarmantes.