Estudo alerta para impacto da deficiência de ferro em adolescentes e destaca riscos ligados à hemorragia menstrual intensa

Um novo estudo aponta que a deficiência de ferro pode prejudicar o desempenho escolar de adolescentes, especialmente durante os anos mais importantes do desenvolvimento cognitivo. Segundo os investigadores, esses efeitos tendem a ser reversíveis, desde que haja ingestão adequada de ferro.

De acordo com os dados, 53% das adolescentes que participaram da pesquisa relataram hemorragias menstruais intensas, situação que provocou impactos físicos, emocionais e sociais. Muitas jovens disseram evitar práticas esportivas ou até mesmo sentar-se em determinados locais por receio de manchas causadas pela perda de sangue.

A hemorragia menstrual intensa é comum na adolescência e geralmente está associada a ciclos em que o ovário não libera um óvulo. No entanto, o estudo identificou que 22% das jovens apresentavam doenças hemorrágicas, como a doença de von Willebrand, condição que dificulta a coagulação do sangue e agrava os sintomas.

Falta de prevenção e subestimação dos riscos

Os pesquisadores também identificaram uma falha significativa na prevenção: enquanto adolescentes que seguem dietas sem carne costumam tomar suplementos de ferro, aquelas que consomem carne, mas apresentam períodos muito intensos, não fazem suplementação, por não considerarem a perda de sangue como fator de risco.

O relatório destaca:

“As adolescentes com hemorragias menstruais abundantes subestimam a perda substancial de ferro associada a períodos intensos, possivelmente por dificuldades em avaliar com precisão o volume de sangue perdido.”

Limitações e alertas importantes

O estudo reconhece limitações, como o número reduzido de participantes e a ausência de avaliação da atividade física — fator que pode influenciar a absorção de ferro.

Mesmo assim, os resultados reforçam que a adolescência é um período fundamental para identificar e corrigir deficiências de ferro. O alerta se estende às futuras gestações: níveis baixos de ferro estão associados a problemas no desenvolvimento cognitivo e motor, parto prematuro e maior risco de hemorragia pós-parto.

Anemia: sintomas e metas globais

A anemia e a deficiência de ferro podem causar fraqueza muscular, queda no desempenho físico, fadiga, além de sintomas depressivos. A condição ocorre quando há baixa quantidade de glóbulos vermelhos, o que impede o transporte adequado de oxigênio pelo corpo.

Em 2012, países do mundo todo se comprometeram a reduzir em 50% a prevalência de anemia entre mulheres de 15 a 49 anos até 2025. O prazo foi posteriormente ampliado para 2030, devido à lentidão no progresso global.

Somente na Europa e Ásia Central, cerca de 44,8 milhões de mulheres viviam com anemia em 2023, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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