Maduro confirma telefonema com Donald Trump e diz que conversa foi “respeitosa e cordial”

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou publicamente que manteve recentemente uma conversa telefônica com Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos — um diálogo que já havia sido mencionado por Trump em território norte-americano. A ligação, segundo Maduro, partiu da Casa Branca, em Washington, e foi direcionada ao Palácio de Miraflores, em Caracas.

Durante um evento governamental, Maduro explicou por que não havia comentado o assunto antes:

“Quando acontecem coisas importantes, devemos ficar em silêncio até que elas se concretizem. Posso dizer que a conversa foi conduzida num tom respeitoso. Posso até dizer que foi uma conversa cordial entre o presidente dos Estados Unidos e o presidente da Venezuela.”

O líder venezuelano afirmou ainda que, se o telefonema representar um passo rumo a um diálogo respeitoso entre os países, isso deve ser visto como positivo. “A diplomacia é bem-vinda”, disse Maduro, destacando que buscará sempre a paz.

Sinal incomum em meio a tensões

A avaliação amena de Maduro sobre o contato surpreende, já que a administração norte-americana havia reforçado recentemente sua posição contrária à permanência do presidente venezuelano no poder.

De acordo com quatro fontes ouvidas pela Reuters, Maduro teria indicado a Trump que estaria disposto a deixar a Venezuela, desde que fossem cumpridas três condições:

  • amnistia para ele e sua família;
  • levantamento das sanções impostas pelos EUA;
  • arquivamento do processo contra ele no Tribunal Penal Internacional.

As tensões entre os dois países vinham se intensificando. No ano passado, os EUA ofereceram uma recompensa de 50 milhões de dólares pela captura de Maduro, classificaram o Cartel de los Soles — grupo ligado a altos funcionários venezuelanos — como organização terrorista, e reforçaram operações militares no Caribe. A marinha norte-americana afundou embarcações suspeitas de tráfico de drogas e enviou seu maior porta-aviões para a região, enquanto Trump anunciou que a CIA estaria conduzindo operações ativas na Venezuela.

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