A identidade visual da Vórtex nasceu longe das telas e dos softwares tradicionais. A partir de um processo experimental e manual, a designer paraense Beatriz Melo utilizou slime como matéria-prima para desenvolver uma tipografia autoral. O experimento resultou na criação de cerca de 240 letras, que serviram de base para a construção da marca final, formada pela combinação dessas variações tipográficas únicas.

O projeto garantiu a Beatriz o Troféu de Bronze na categoria Projetos Estudantis – Design Gráfico da 15ª edição do Prêmio Brasileiro de Design (PBD) 2025, uma das mais importantes premiações do setor no país. A cerimônia foi realizada na última segunda-feira (15), em São Paulo, e reconheceu o trabalho desenvolvido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da designer, egressa da Universidade do Estado do Pará (Uepa), sob orientação do professor Sávio Fernandes.

Intitulado “Identidade Visual do Coletivo de Festas Vórtex”, o projeto desenvolve a identidade visual de um coletivo paraense dedicado à promoção de eventos e ao fortalecimento da cultura criativa local, colocando a produção artística amazônica em evidência no cenário nacional do design.

O uso de experimentos gráficos manuais e materiais não convencionais se tornou o principal diferencial do trabalho. Ao optar pelo slime para criar texturas e formas tipográficas, Beatriz rompe com a lógica do design exclusivamente digital e resgata o valor do processo artesanal como linguagem estética e conceitual. “O objetivo foi fortalecer a marca Vórtex por meio de uma estética autoral, que valoriza o trabalho manual em contraste com o digital puro”, explica a designer.

A conquista no Prêmio Brasileiro de Design reforça a qualidade do ensino de Design da Uepa e projeta a produção acadêmica paraense em nível nacional. Para Beatriz, a premiação valida um percurso marcado por experimentação, pesquisa e inovação, iniciado ainda na universidade, e demonstra que abordagens criativas manuais seguem tendo alto valor crítico e relevância no mercado.

Organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign), o PBD 2025 teve como tema “Diferença, Potência e Coletividade”, destacando o papel do designer como agente transformador e capaz de propor soluções colaborativas para os desafios contemporâneos. Nesta edição, os projetos foram avaliados por um júri especializado em 14 categorias, incluindo Branding, Design de Impacto Social, Design Digital e a categoria estreante de Interatividade.

A premiação de Beatriz Melo reafirma o protagonismo da produção criativa amazônica e evidencia como a universidade pública paraense tem contribuído para formar profissionais capazes de dialogar com cultura, inovação e mercado no design brasileiro.