Belém recebe, no próximo dia 28 de abril, a oficina “Preservação do Patrimônio Cultural de Matriz Africana no Pará: salvaguarda do ofício das baianas de acarajé e tombamento de terreiros”. A iniciativa é promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com a Rede Matriarcas e a Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Pará.

O encontro tem como objetivo promover um espaço de diálogo e formação voltado à apresentação das políticas de salvaguarda de bens culturais registrados, com foco no ofício das baianas de acarajé e nos processos de tombamento de terreiros.

Para Mãe Jucy D’Oya, baiana de acarajé e filiada à associação nacional desde 2017, a construção desse documento representa um avanço importante para a categoria.
“Este documento propõe a criação de uma política pública nacional de reconhecimento, valorização e reparação histórica das baianas de acarajé, considerando sua relevância como mulheres negras empreendedoras, trabalhadoras tradicionais e protagonistas da economia urbana desde o período colonial”, afirma.

A oficina é direcionada a lideranças e representantes de terreiros, baianas de acarajé, comunidades tradicionais de matriz africana, gestores públicos e demais interessados. A proposta é reunir contribuições para o planejamento de ações voltadas à preservação desse patrimônio cultural.

Segundo Cyro Lins, técnico em Antropologia do Iphan no Pará, a iniciativa surge a partir da demanda das próprias detentoras do saber tradicional.
“É uma demanda que parte das próprias baianas, no sentido de compreender e implementar essa política de salvaguarda no Pará. A partir dessa proposição, construímos coletivamente a oficina como um espaço de diálogo e formação. A expectativa é ouvir as demandas das comunidades de terreiro e também apresentar como ocorre o processo de elaboração e implementação de um plano de salvaguarda”, explica.

O acarajé é considerado um alimento sagrado, especialmente associado aos orixás Iansã (Oyá) e Xangô. Seu preparo envolve fundamentos religiosos, respeito ao tempo, à ritualidade e à ancestralidade africana, reforçando seu valor cultural e simbólico.

Serviço
Oficina “Preservação do Patrimônio Cultural de Matriz Africana no Pará”
Data: 28 de abril de 2026
Horário: 8h às 17h
Local: Teatro Estação Gasômetro (Av. Gov. Magalhães Barata, 830 – São Brás, Belém-PA)
Inscrições: https://encurtei.online/r/ckq0y