A nova diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendando o uso de medicamentos à base de GLP-1 no tratamento da obesidade reacendeu o debate sobre desigualdade de acesso e alto custo das terapias.

Embora altamente eficazes, esses medicamentos ainda são considerados inacessíveis para boa parte da população — tanto no Brasil quanto em países em desenvolvimento. Os preços elevados, a baixa produção mundial e a falta de cobertura por parte de muitos sistemas públicos e privados de saúde ampliam o abismo entre quem pode e quem não pode iniciar o tratamento.

Especialistas apontam que, para que a recomendação da OMS se traduza em impacto real, será necessário adotar políticas públicas que subsidiam ou integrem esses medicamentos no SUS, além de ampliar acesso a nutricionistas, educadores físicos e equipes multiprofissionais.

Outro ponto importante é que o tratamento da obesidade não depende apenas da medicação. Alimentação adequada, ambientes urbanos seguros para atividade física, prevenção desde a infância e educação alimentar são pilares fundamentais.

A diretriz global é um passo gigantesco — mas a luta contra a obesidade exige ações amplas, contínuas e alinhadas aos diferentes contextos socioeconômicos.