A pandemia e os conflitos geopolíticos expuseram a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos globais, excessivamente concentradas em determinados países. A resposta das principais potências ocidentais tem sido a aceleração de uma estratégia batizada de “friend-shoring” ou “near-shoring”. A prática consiste em realocar etapas críticas da produção—como semicondutores, baterias para veículos elétricos, minerais raros e princípios ativos farmacêuticos—para nações consideradas politicamente alinhadas e geograficamente próximas.

O movimento é um claro realinhamento pós-globalização. Os Estados Unidos, com leis como o “CHIPS and Science Act”, oferecem subsídios bilionários para que fabricantes de chips como a TSMC construam fábricas em solo americano ou no México. A União Europeia busca reduzir sua dependência energética e industrial, fortalecendo parcerias dentro do próprio bloco e com nações africanas. O alvo implícito é a China, que dominou por décadas a manufatura mundial. Economistas alertam, porém, para os efeitos colaterais: a fragmentação da economia global em esferas de influência pode encarecer produtos, reduzir a eficiência e alimentar pressões inflacionárias, criando um mundo economicamente menos integrado e mais volátil.