A matriz elétrica brasileira acaba de escrever um novo capítulo em sua história, marcado pela força do sol. A energia solar fotovoltaica atingiu, no primeiro trimestre de 2024, uma potência instalada total de 37 gigawatts (GW), ultrapassando a da usina hidrelétrica de Itaipu (14 GW) e se consolidando como a segunda maior fonte do país, atrás apenas da hídrica. O feito é resultado de uma expansão meteórica, puxada tanto por grandes usinas em terra (geração centralizada) quanto pela revolução dos telhados (geração distribuída).

Essa transformação foi impulsionada por uma combinação de fatores: a queda de mais de 90% no custo dos painéis solares na última década, as sucessivas crises hídricas que evidenciaram a necessidade de diversificação e marcos regulatórios favoráveis. A energia solar, além de limpa e renovável, tem se mostrado uma ferramenta poderosa contra a inflação do setor elétrico, por gerar energia no pico de demanda, justamente quando é mais cara. O setor projeta adicionar mais de 15 GW apenas em 2024, indicando que a era solar no Brasil está apenas começando e será crucial para a transição energética e a segurança do suprimento.