No sábado (6/12), das 7h às 13h, a Praça do Estrela, em Castanhal (PA), será tomada pelos sabores, cultura e saberes tradicionais da Amazônia paraense com a realização da Feira do Caranguejo. Aberta ao público e com atração cultural, a feira oferece ao consumidor a oportunidade de adquirir caranguejo-uçá de forma sustentável, diretamente das mãos de quem vive e trabalha nos manguezais. Além do crustáceo — comercializado a preço acessível e com procedência garantida — o público encontrará uma variedade de produtos das Reservas Extrativistas, incluindo artesanato regional, produtos da agricultura familiar e gastronomia preparada por mulheres das comunidades.

A proposta é aproximar produtores e consumidores, fortalecendo uma relação mais justa e transparente. Ao escolher comprar na feira, o público apoia diretamente caranguejeiros, caranguejeiras e artesãs, incentiva as melhores práticas de conservação dos manguezais e também se beneficia com um produto fresco, diretamente das áreas de extração de Marapanim e São João da Ponta.

A participação de cerca de mulheres na gastronomia e  artesãs reforça o protagonismo feminino na promoção da economia local, garantindo pratos tradicionais, produtos de qualidade e diversidade cultural.

A feira integra o projeto Entre Águas Amazônicas, executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em parceria com o Instituto Mamirauá a e o . O financiamento provém do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). A ação é co-realizada pelo Governo do Pará, através da Sedap, e pela Prefeitura Municipal de Castanhal, e ocorre em parceria com a Rede Mães do Mangue, Rede Cuíra, Rare, Associação Mestre Lucindo (Auremluc), Associação dos Usuários da RESEX de São João da Ponta e ICMBio.

Treinamento para práticas sustentáveis

A realização da feira acontece logo após os cursos de utilização sustentável de basquetas promovidos pelo projeto nas Reservas Extrativistas. Nessas capacitações, caranguejeiros e caranguejeiras aprendem maneiras adequadas de armazenar o caranguejo, reduzindo a mortalidade no transporte, ampliando a renda e contribuindo para conservação da espécie. Cada participante recebe uma basqueta para usar pela primeira vez na própria feira, fechando um ciclo que une capacitação prática, conservação da espécie e fortalecimento econômico. Os cursos também abrem espaço para a discussão sobre precificação justa, ajudando a romper com a dependência histórica de intermediários que pagam valores mais baixos pela produção.

Somados, os cursos contam com 50 participantes, envolvendo homens e mulheres de diferentes comunidades. Na feira, representantes de pelo menos cinco comunidades estarão presentes com caranguejos e outros produtos, somando à oferta prevista de cerca de mil unidades do crustáceo, que deve ser comercializado por aproximadamente R$ 5,00 cada (valor sujeito a alteração).

Com foco no uso sustentável do recurso natural, na autonomia dos extrativistas e na valorização das identidades tradicionais, a iniciativa reforça a importância das comunidades no cuidado com os manguezais e mostra como ações colaborativas podem transformar a realidade socioambiental da Amazônia, beneficiando tanto quem produz quanto quem consome.

De acordo com Tabatha Benitz, do Instituto Mamirauá, “a realização dessas ações nos maretórios contribuem para a conservação do caranguejo além de desenvolver a sociobioeconomia na região. Além disso, após a realização das feiras do caranguejo, é entregue às lideranças comunitárias e parceiros envolvidos um plano de sustentabilidade financeira da feira, com um mapa de toda a organização, custos e contatos para que uma próxima feira possa ser realizada. Desta forma, incentiva-se a continuidade e autonomia de cada território na realização das feiras, fortalecendo espaços de comercialização que geram benefícios a todos os envolvidos”.

Projeto Entre Águas Amazônicas

O Entre Águas Amazônicas foi lançado em abril de 2025 e tem como meta promover o manejo participativo e sustentável dos recursos naturais em cerca de 4,8 milhões de hectares distribuídos entre áreas do Pará, Amazonas e Amapá — incluindo unidades de conservação, terras indígenas e áreas produtivas. A iniciativa foca no fortalecimento de cadeias produtivas e na elaboração de protocolos de manejo do pirarucu, jacaré, caranguejo, produtos florestais madeireiros e não madeireiros, agroecologia e turismo de base comunitária. Através de treinamentos de melhores práticas e a valorização de saberes tradicionais das comunidades ribeirinhas, implementação de planos de manejo, monitoramento da biodiversidade e governança participativa, o projeto busca melhorar a segurança alimentar, gerar renda para populações tradicionais e conservar ecossistemas da Amazônia.

 

Informações para a imprensa:

Assessoria de Comunicação do Instituto Mamirauá

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