Evento realizado na Assembleia Legislativa reúne profissionais da saúde, pesquisadores e representantes de entidades para discutir uso terapêutico, regulamentação, SUS, autismo e pesquisas envolvendo a cannabis.
Especialistas, pesquisadores, representantes do poder público e de entidades ligadas à saúde participam do 2º Simpósio Cearense de Cannabis Medicinal, realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), em Fortaleza.
O encontro começou nesta quinta-feira (9) e segue até sexta-feira (10), reunindo diferentes áreas para debater os avanços científicos, os desafios regulatórios e as possibilidades de utilização terapêutica da cannabis no Brasil. As 300 vagas gratuitas disponibilizadas para participação presencial foram preenchidas.
Cannabis no SUS e tratamentos em debate
A programação reúne discussões sobre a experiência de pacientes e associações, cultivo da planta, legislação e aplicação da cannabis em práticas integrativas.
Entre os assuntos abordados estão os desafios jurídicos e regulatórios para a utilização da cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS), além das evidências e aplicações estudadas nas áreas de psiquiatria, dor e sono.
A medicina veterinária também integra a programação, assim como debates relacionados à possibilidade de integração da cannabis às Farmácias Vivas e à agricultura familiar.
Outro eixo aborda conhecimentos tradicionais e a utilização da planta por povos originários, incluindo experiências relacionadas aos Huni Kuin, também conhecidos como Kaxinawá.
Autismo e cannabis medicinal
Um dos destaques da programação de sexta-feira (10) é a roda de conversa “Cannabis, Autismo e Ciência: o que já sabemos e para onde estamos caminhando?”, prevista para ocorrer das 10h às 12h.
O encontro pretende discutir o conhecimento científico disponível e as pesquisas em andamento sobre o uso terapêutico de derivados da cannabis em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O debate não significa que produtos à base de cannabis sejam indicados indistintamente para pessoas autistas. A utilização medicinal depende de avaliação profissional, indicação clínica e acompanhamento adequado.
Projeto prevê política estadual
A programação também inclui uma audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 1.014/2023. A discussão ocorre no auditório Murilo Aguiar, na Assembleia Legislativa do Ceará.
A proposta busca instituir uma política estadual voltada à cannabis para fins terapêuticos, envolvendo pesquisa científica, capacitação de profissionais da rede pública, incentivo às associações e mecanismos de acesso pelo SUS mediante prescrição.
O simpósio conta com apoio de instituições e organizações ligadas à pesquisa, saúde e discussão sobre cannabis medicinal, entre elas a Fiocruz Ceará, o Conselho Estadual de Saúde do Ceará (Cesau), a Universidade Federal do Ceará (UFC), o Ceará Saúde Livre e a Liamba 360º.
Agência Brasil
